Na noite de 25 de julho, o anúncio do fundador da AAVE, Stani, sobre o lançamento do AAVE V4 rapidamente ganhou destaque e provocou debates intensos em todo o mercado. Além disso, a polêmica recente entre AAVE e WLFI acerca da proposta de alocação de 7% em tokens também foi alvo de ampla discussão no setor.
De imediato, a atenção do mercado voltou-se para a AAVE, reconhecida como referência entre protocolos de empréstimo.
Embora o impasse entre AAVE e WLFI ainda não tenha definição, os bastidores da disputa revelam uma tendência clara—novos tokens surgem continuamente, enquanto a AAVE segue firme como protagonista.
Com o crescimento de tokens e a demanda constante por empréstimos on-chain, a AAVE se diferencia pelos sólidos fundamentos e catalisadores de crescimento consistentes.
Esse lançamento da V4 pode evidenciar a força competitiva da AAVE no DeFi e explicar os motores de seu aumento de atividade.
Ao analisar o AAVE V4, a principal dúvida é: por que o mercado está ansioso por esse upgrade?
Desde a origem como ETHLend em 2017 até se tornar um gigante do DeFi com US$ 3,86 bilhões em TVL, cada versão da AAVE priorizou a otimização, afetando continuamente a liquidez dos ativos e os casos de uso on-chain.
O histórico das versões da AAVE reflete diretamente a evolução dos empréstimos DeFi.
Quando a V1 foi lançada no início de 2020, o TVL total do DeFi era inferior a US$ 1 bilhão. AAVE migrou do modelo peer-to-peer (P2P) para pools de liquidez, tornando os empréstimos instantâneos e eliminando a necessidade de aguardar contrapartes. Essa inovação foi essencial para a AAVE conquistar rapidamente participação de mercado.
Na V2, lançada ao fim de 2020, vieram os flash loans (“empréstimos instantâneos”) e as posições de dívida tokenizadas. Os flash loans alavancaram arbitragem e liquidações, gerando receita. As dívidas tokenizadas permitiram transferências de posição, abrindo caminho para futuros agregadores. A V3, em 2022, focou na integração cross-chain, conectando ativos de diversas redes e ampliando a liquidez.
Hoje, a AAVE é referência para precificação no DeFi. Protocolos utilizam as curvas de oferta e demanda da plataforma para definir taxas, e novos projetos ajustam seus parâmetros de colateral com base nela.
Mesmo servindo como infraestrutura essencial, a arquitetura da V3 enfrenta limitações claras.
O principal problema é a liquidez fragmentada. AAVE mantém US$ 6 bilhões em TVL na Ethereum, US$ 440 milhões na Arbitrum e menos na Base. Cada rede funciona de forma isolada, dificultando o fluxo de capital e prejudicando principalmente o desenvolvimento de ecossistemas menores.
Outro desafio é o ritmo de inovação. Novas funcionalidades dependem do ciclo completo de governança, levando meses para serem aprovadas. No ritmo acelerado do DeFi, isso não atende às demandas do mercado.
O terceiro entrave é a pouca flexibilidade. Plataformas de Ativos do Mundo Real (RWAs) exigem KYC, GameFi demanda NFTs como garantia, e instituições buscam pools separados. A estrutura única da V3 não permite atender requisitos específicos—é tudo ou nada, sem alternativas.
Por isso, a V4 surge para transformar a AAVE em uma plataforma aberta e flexível, superando o modelo anterior.
Informações públicas confirmam que a principal novidade da V4 é o “Unified Liquidity Layer”, baseado em uma arquitetura Hub-and-Spoke, que revoluciona tanto o design técnico quanto o modelo de negócios.
Crédito da imagem: @Eli5DeFi
Hub-and-Spoke: Solução para necessidades diversas
Na prática, o Hub concentra a liquidez, enquanto os Spokes viabilizam aplicações específicas. O usuário sempre interage via Spoke, que define regras e parâmetros próprios de risco.
Qual o benefício? AAVE deixa de impor regras únicas—cada Spoke pode ser desenvolvido conforme requisitos individuais.
Por exemplo, a Frax Finance pode criar um Spoke que aceite apenas frxETH e FRAX, sob parâmetros agressivos; ao mesmo tempo, um Spoke institucional pode aceitar só BTC e ETH, exigir KYC e oferecer juros reduzidos.
Ambos utilizam a liquidez do Hub, mas mantêm riscos segregados.
Essa arquitetura combina liquidez profunda e unificada com segregação de riscos; governança central combinada à personalização. Antes, esses elementos entravam em conflito na AAVE—com o Hub-and-Spoke, são complementares.
Taxas Dinâmicas de Risco
Outra inovação é o mecanismo dinâmico de taxas de risco, que reforma como os juros são definidos.
Em vez das taxas fixas da V3, a V4 ajusta os juros de acordo com a qualidade do colateral e a liquidez de mercado. Ativos líquidos como WETH ficam com taxas básicas, enquanto os mais voláteis, como LINK, pagam taxas adicionais. Os contratos inteligentes realizam esses ajustes automaticamente, fortalecendo a segurança e garantindo empréstimos justos.
“Contas Inteligentes”
As “Contas Inteligentes” da V4 proporcionam maior eficiência operacional. Antes, era preciso gerenciar diversas carteiras e posições complexas em múltiplas redes. Agora, uma única carteira controla ativos multichain e estratégias de empréstimo, reduzindo a complexidade.
Assim, é possível ajustar o colateral WETH na Ethereum e administrar empréstimos na Aptos, tudo via um único “painel”, sem transferências manuais. Todo tipo de usuário—institucional ou varejo—é beneficiado por essa abordagem integrada.
Cross-Chain & RWAs: Expandindo o alcance do DeFi
A V4 integra Chainlink CCIP, permitindo transações instantâneas entre redes e suporte a blockchains não-EVM, como Aptos. Dessa forma, o usuário pode usar ativos de Polygon como garantia, tomar empréstimos na Arbitrum e executar todas as operações em uma única transação. Com a integração dos Ativos do Mundo Real (“RWAs”), como Treasuries tokenizados, o acesso institucional ao DeFi é ampliado. Essa evolução expande o universo da AAVE e contribui para maior inclusão nos empréstimos via blockchain.
Apesar da volatilidade das criptomoedas nesta semana, a valorização da AAVE hoje ficou acima dos principais tokens DeFi.
Em apenas 24 horas após a última queda, o volume negociado da AAVE atingiu US$ 18,72 milhões, superando UNI (US$ 7,2 milhões) e LDO (US$ 3,65 milhões), evidenciando a confiança dos investidores nas inovações do protocolo. Essa movimentação contribuiu para reforçar a liquidez da plataforma.
O TVL é reflexo direto da confiança do mercado. Em relação ao início de agosto, o TVL da AAVE disparou 19% neste mês, próximo de US$ 7 bilhões—novo recorde histórico e liderança absoluta na Ethereum. O avanço supera a média do setor DeFi, evidenciando a eficácia da estratégia multi-ativos da V4 e indicando maior participação institucional.
Segundo a TokenLogic, o patrimônio líquido da AAVE, excluindo seus próprios holdings, chegou a US$ 132,7 milhões, um aumento de aproximadamente 130% em comparação ao ano anterior.
Dados on-chain mostram que, em 24 de agosto, os contratos abertos da AAVE ultrapassaram US$ 430 milhões—a maior marca em seis meses.
O upgrade V4 também estimulou debates amplos na comunidade. O preview da nova versão recebeu forte apoio, especialmente pela eficiência de capital e pela composabilidade DeFi, reforçando as oportunidades para o futuro.
Com todas as atualizações já divulgadas, a mais recente evolução da AAVE pode levar novamente o DeFi a novos patamares. Arquitetura modular, expansão entre redes e integração com Ativos do Mundo Real (“RWAs”) impulsionam o otimismo do mercado e elevam tanto o preço quanto o TVL.
O fundador Stani também mostra confiança total no impacto da V4 para renovar o ecossistema DeFi.
A chegada de um “bull market” pode dar à AAVE o impulso de liquidez necessário para alcançar novos recordes e desbloquear possibilidades inéditas.